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This Is Me in a Nuttshell

This Is Me in a Nuttshell

Esperança

Tantas formas revestes, e nenhuma
Me satisfaz!
Vens às vezes no amor, e quase te acredito.
Mas todo o amor é um grito
Desesperado
Que apenas ouve o eco...
Peco
Por absurdo humano:
Quero não sei que cálice profano
Cheio de um vinho herético e sagrado.   

 

Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório'

"A nossa vida, como todas as vidas, nunca é a que sonhámos"

"A nossa vida, como todas as vidas, nunca é a que sonhámos e que vive latente e impaciente dentro de nós até ao último instante, mas um misto de encontros e desencontros, de sonhos e desencantos, em que o desejo cumprido corre paralelo ao desejo fracassado, embora em rigor nós sintamos que tudo é possível."

 

Margarida Rebelo Pinto, I'm In Love With a Pop Star, Oficina do Livro

Minha Vida Não Faz Sentido (2017)

Meus amigos, em pouco tempo eu tornei-me uma "coruja maluca". Devem estar a pensar "Hein?! O que é que esta quer dizer com isso?" Para quem está fora do universo Youtube, as "corujas" são os seguidores do canal do Felipe Neto.

O Felipe Neto é um criador de conteúdo Youtube do Brasil completamente doido, irreverente (a prova disso é aquele cabelo que já vai em quase 5 cores diferentes no último ano), em alguns momentos corrosivo e com uma língua de trapo que mete dó. Acreditem, pior que velha da Ribeira do Porto!

Uma das rubricas que fez mais sucesso no canal foi a "Não Faz Sentido", logo nos primórdios. A rubrica virou livro e o livro virou peça de teatro.

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Olhando para trás, o Felipe procura perceber porque é que aquele personagem rezingão, que reclamava de tudo e aparecia em frente de uma câmara com um discurso raivoso fazia tanto sucesso. A resposta estava precisamente na raiva. O ser humano tem uma tendência inerente para se identificar com a raiva, com o ódio.

Ao percorrer o seu próprio percurso de vida, ele reflete também sobre algo que todos nós nos vamos identificar. A tendência também inerente do nosso cérebro ser o nosso pior inimigo. Essa função melga de ter um grilo falante na mente que diz "Esquece, isso vai dar asneira!", "Não vais conseguir", "Isso vai correr mal". O nosso cérebro tem sempre medo do desconhecido e por isso bloqueia as iniciativas para que sigamos os nossos sonhos. O conselho para enfrentar os medos e seguir os sonhos é simples e apenas um: dar uso ao belo do botão bem vermelhinho do "foda-se" (e desculpem lá o meu francês).

Mesmo com mais palavrões que os 3 filmes do Balas e Bolinhos juntos, vale a pena ver. É o género de peça que se encaixa na filosofia das sátiras clássicas do teatro, a rir é que se criticam os costumes. A rir é que as pessoas poem o dedo na ferida e abrem os olhos de outros para o sistema educativo que cria autómatos, para sociedades que vêm com preconceito quem está fora da norma (o texto sobre homofobia é brilhante), para a nova forma de relação em família.

 

Aos Olhos Dele

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

"Uma religião a que se elimine o ritual desaparece"

"Meu bom amigo, uma religião a que se elimine o ritual desaparece – porque as religiões são para os homens (com excepção dos raros metafísicos, moralistas e místicos) não passa de um conjunto de ritos através dos quais cada povo procura estabelecer uma comunicação íntima com o seu Deus e obter favores dele."

 

Eça de Queirós. A Correspondência de Fradique Mendes - Notas e Memórias, Livros do Brasil

BTT - Formato

Algumas pessoas, tipo a minha mãe, só leem livros de capa mole. Outras pessoas preferem livros de capa dura. Outros leem livros de capa dura porque é o formato que sai primeiro mas caso contrário preferem a capa mole. E tu? Preferes livros de capa dura ou mole? Porquê? Lês livros noutros formatos?

 

Apesar de os livros de capa dura terem uma estética mais apelativa para estar na estante, prefiro os de capa mole. Os livros de capa dura são um pesadelo para transportar. A grande maioria tem uma "jacket", que é aquela capa de papel com o design de capa, título do livro, autor, editora, etc. Eu tenho livros sem "jacket" porque me irritei, tirei do livro, pousei não sei onde e nunca mais a encontrei.

Dentro dos livros de capa mole, a preferência vai para aquilo que se chama em inglês "massmarket paperback", vulgo livro de bolso. A editora Leya fez um post no blog da Colecção BIS sobre mim e sobre o meu anterior blog porque eu já tinha lido e comentado para cima de 10 livros da colecção até aquele momento e lembro-me que ainda tinha outros quantos na lista de espera. E convenhamos, livro de bolso só tem vantagens. Títulos interessantes e actuais a metade do preço de um de capa mole normal. Não há que errar! BIS, 11x17, Booklet, Biblioteca de Autores Independentes, etc. Até os ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos!

 

Uma ideia original do blog Booking Through Thursday