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This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

A Catedral do Mar

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Autor: Ildefonso Falcones

Editora: Bertrand (11x17)

Ano: 2010

 

 " - A nossa será toda ao contrário; não será tão longa, nem tão alta, mas será muito larga, para que caibam todos os catalães, juntos diante da Virgem. Um dia, quando estiver acabada, poderás comprovar isso: o espaço será comum para todos os fiéis, não haverá distinções e como única decoração... a luz, a luz do Mediterrâneo. Nós não precisamos de outra decoração: só do espaço e da luz que entrará por ali (...). - Esta igreja será para o povo, não para maior glória de algum príncipe." (pág. 276/7)

No momento em que Barcelona procurava um novo templo, Berenguer de Montagut decidiu mudar o paradigma dessas grandes construções. Abandonou as grandes construções, as decorações ricamente trabalhadas, as expressões de riqueza e grandiosidade. Aquele templo iria marcar a diferença pelo estilo mas pelo modo como foi edificado. Desde o início que a sua construção foi muito assente na ajuda popular. Os bastaixos, simples carregadores do porto, traziam às costas desde a Pedreira Real as pedras para a estrutura. Todas as classes de trabalhadores tinham a sua participação em alguma fase da construção.

A tudo isto assistiu Arnau Estanyol. O pai, Bernat, e ele fugiram da sua pequena aldeia dominada pelo senhor de Navarcles, Llorenç de Bellera, numa Catalunha ainda vergada aos maus costumes medievais. O senhor tinha direito a deitar-se com a nova esposa do seu servo no dia do casamento. Tinha o direito de exigir que os servos trabalhassem sem remuneração nas suas terras. Tinha o direito de obrigar a esposa de um dos seus servos a amamentar os seus filhos. Ao saber que se ficassem em Barcelona sem serem denunciados durante 1 ano e 1 dia estaria livres, Bernat e Arnau contaram com a ajuda de Grau Puig, seu cunhado, um conhecido ceramista da cidade. Arnau cresceu e acompanhou a construção da casa da Virgem de la Mar, da sua mãe. Deu água aos bastaixos, carregou pedras tornando-se um deles, tornou-se cambista e financiou a construção.

Enquanto a catedral se erguia, a vida em Barcelona corria ora calma, ora tumultuosa. Convocavam-se hosts, declaravam-se guerras, cresciam e abafavam-se rebeliões, morria-se de fome e de peste negra. Tudo isto numa época obscura de fanatismo religioso e mentes fechadas.

É um lado da História que ninguém pode ignorar. Todo o ódio de cristãos para com os judeus. Todo o fanatismo criado pela Inquisição. Todas as atrocidades que os donos de terras cometiam com quem os servia. Todos os tratados que reduziam as mulheres a seres fracos e facilmente corruptíveis.

"- Em segundo lugar, porque as mulheres, por natureza, por criação, têm pouco senso comum e, em consequência disso, não existe freio para a sua malícia natural." (pág. 290)

E por fim, todas as descrições que nos arrepiam a alma. Os relatos de fome provocado pelos maus anos agrícolas, a mortandade provocada pela peste negra, o ecoar de um Via fora! e os repicar nos sinos por toda a cidade. Mas principalmente o relato do trabalho dos bastaixos, os mais privilegiados na organização da Catedral, os zeladores da capela mais importante do templo, homens que levavam às costas pedras com o dobro do seu tamanho com um sorriso na cara.

Solsbury Hill - Peter Gabriel

 "I was feeling part of the scenery
I walked right out of the machinery
My heart going boom, boom, boom
Son, he said, grab your things I've come to take you home"

 

Já alguma vez se deram conta que as mudanças nos nossos gostos musicais vão quase sempre de encontro aos anos para trás do nosso nascimento conforme vamos ficando mais velhos? Eu, pelo menos, tenho notado isso em mim. Ouço cada vez menos os últimos sucessos, as rádios com as músicas mais recentes. Contam-se pelos dedos das duas mãos os hits que me agarraram ultimamente. Por isso é cada vez menos novidade para mim que músicas do Phil Collins, dos Genesis, dos Simple Minds, dos Depeche Mode ou do Peter Gabriel entrem em modo earworm.

No caso concreto de Peter Gabriel, gosto mais das músicas com um ritmo mais alegre como este Solsbury Hill ou Sledgehammer. Atenção, ele tem músicas mais calminhas lindíssimas tipo o dueto com a Kate Bush em Don't Give Up ou a eterna I Grieve, que faz parte da banda sonora do filme City of Angels. Mas, lá está, são músicas mais lentas, mais tristes, não enquadram em qualquer situação.

 

Peter Gabriel é um músico inglês que assenta a sua carreira musical em sonoridades de pop/rock, rock alternativo e world music. Iniciou o seu percurso com a banda Genesis, de quem foi o vocalista. Por divergências artisticas mas também por motivos familiares, Peter Gabriel deixa os Genesis em 1975 e lança-se a solo, tendo lançado o seu primeiro álbum nessa condição em 1977. No palmarés conta com 3 Brit Awards, 6 Grammy's e 13 MTV Video Music Awards (VMA's). Peter Gabriel é também um activista dos direitos humanos com uma já longa ligação a organizações como a Amnistia Internacional.

O Sono

O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim —
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
O sono da vontade de dormir,
O sono de ser sono.

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O sono que desce sobre mim
É contudo como todos os sonos.
O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.

Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.

Meu Deus, tanto sono!...

Álvaro de Campos, in "Poemas"

Good Morning, Vietnam

Good_Morning,_Vietnam.jpg

Realizador: Barry Levinson

Ano: 1987

 

 Em 1965, em plena Guerra do Vietnam, as tropas americanas estavam desanimadas. Os programas de rádio produzidos pelos Serviços Militares eram chatos, com músicas demasiado antigas. Até que contratam Adrian Cronauer (Robin Williams), conhecido pelos seus programas animados e recheados de humor. A partir do momento em que o microfone se abriu e se ouviu um "Goooooooooooooood Moooorning, Vietnam!", as emissões matinais em Saigão nunca mais foram a mesma coisa. Quem não achou grande piada foram o Tenente Haulk (Bruno Kirby) e o Sargento Dickerson (J. T. Walsh), que tinham ideias muito fixas sobre como deveria ser conduzido um programa de rádio.

Cedo Cronauer percebeu que a vida não ia ser fácil. Não só tinha a oposição dos superiores quanto ao programa, como tinha que lidar com a constante censura, que não o deixavam reportar nem acontecimentos que o próprio tinha assistido.

Baseado na vida do verdadeiro radialista Adrian Cronauer, o filme rendeu a Robin Williams uma nomeação para os Óscars como Melhor Actor e o Globo de Ouro na mesma categoria. Ocupa também o nº100 do Top100 dos Filmes Americanos mais Divertidos, uma lista criada pelo American Film Institute.

 

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