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This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

Sem Sangue

Março 11, 2017

alessandro baricco.jpg

 

Autor: Alessandro Baricco

 

Editora: Biblioteca Sábado

 

Ano: 2009

 

 

 

 Num periodo pós-guerra, Manuel Roca, um médico, refugiou-se numa quinta com os dois filhos. Quando sente que andam atrás dele, prepara com o filho a defesa da casa e esconde a filha, Nina, num alçapão coberto com cestas de fruta.

 


"Gostava de estar assim. Sentia a terra, fresca, debaixo do flanco, a protejê-la - não podia traí-la. E sentia o próprio corpo recolhido, fechado sobre si próprio como uma concha - gostava de o sentir -, era casca e animal, abrigo de si própria, era tudo, era tudo ara si própria, ninguém poderia fazer-lhe mal enquanto continuasse naquela posição - reabriu os olhos, e pensou Não te mexas, és feliz" (pág. 19)

 

Nina assiste a tudo pelas frinchas do soalho. O relato daqueles momentos é violento e assustador. O ódio que se sente em cada palavra gritada está mais do que presente.

 

Anos depois, Nina encontra-se com o dono de um quiosque, um homem já velho. Era Tito, o rapaz que naquele dia lhe poupou a vida. Sentados numa mesa de café, Nina tenta perceber o porquê de tudo o que aconteceu. Mas o relato desses momentos é confuso. Baricco salta constantemente de plano, de personagens. Ora foca-se em Nina, ora passa para Tito, para quem os vê dentro do café.

 


"Então pensou que, incompreensível que a vida seja, provavelmente a atravessamos com o único desejo de regressar ao inferno que nos gerou, e de habitar ao lado de quem, uma vez, nos salvou desse inferno." (pág. 154)

 

O final é inesperado. Com o encontro de Nina e Tito, poderia achar-se que a vingança iria tomar ali forma. Baricco surpreende-nos ao dar uma moralidade diferente ao enredo. Mostra-nos que mesmo com as adversidades da vida, é possível perdoar e avançar.

A Lua de Joana

Março 08, 2017

a lua de joana.jpg

 

Autora: Maria Teresa Maia González

 

Editora: Pi

 

Ano: 2011

 

 

 

O funeral de Marta estava ainda fresco na realidade de todos. A família navegava entre a tristeza e a revolta, os amigos estavam incrédulos e a Joana, sua grande amiga de infância sentia-se desamparada. Não queria escrever um diário, achava demasiado mórbido. Não sabia com quem conversar sobre os assuntos da sua idade. Por isso começou a escrever cartas à amiga. Muitas delas escritas no ponto central do seu quarto, a sua lua.

 


"(...) é uma meia-lua de madeira (branca, claro) que está suspensa do tecto por uma corrente, mesmo no meio do quarto. (...) Quando quero pensar, coloco-a em posição de quarto crescente e, quando estou triste, rodo-a para quarto minguante e sento-me até que a tristeza me passe." (pág. 10)

 

Joana, que sempre foi boa aluna, começa a sentir que está a perdeu as suas pedras de apoio. A mãe sempre ocupada com a loja, o pai sempre ausente no consultório, o irmão sempre ausente na caverna a que chamava quarto. Marta e depois a avó Ju que ficarão ausentes para sempre. Todas essas ausências começam a ficar visíveis no seu dia-a-dia. A falta de paciência para os estudos, a falta de interesse pelos hobbies que tinha.

 

O enredo do livro não deixa dúvidas. Fala-se em droga e no quão fácil é cair no vício. Qualquer viciado terá o discurso da Rita na ponta da língua, que sabe parar a tempo. O problema é que nunca parar, nem a tempo nem fora de tempo. Mas fala também de um fenómeno cada vez mais recorrente e chocante.

 


"Os adultos não estão para se chatear, é um esforço muito grande para eles. Aliás, o meu pai tem outra justificação: ele não tem tempo para se chatear. Uma discussão, um ralhete, um sermão, são coisas que podem durar horas, e ele não se pode dar a esse luxo, tem coisas muito importantes para fazer..." (pág. 106)

 

Pais que embrenhados no corre-corre do dia-a-dia não se dão conta das mudanças na vida dos filhos. Pais que só se dão conta que os filhos estão mudados quando as notas são espelho disso. Pais que acham que o assunto vai para debaixo do tapete se levarem os filhos ao psicólogo.

 

Maria Teresa González tem um condão na sua escrita de dar umas quantas lições de vida. Este "A Lua de Joana" não fica atrás.

O Carteiro de Pablo Neruda (Ardente Paciência)

Março 04, 2017

carteiro de pablo neruda - livro.jpg

Autor: António Skármeta

Editora: Leya (Colecção BIS)

Ano: 2011

"As palavras temos de saborea-las. Temos de deixá-las desfazerem-se na boca." (pág.91)

Eis uns dos motivos pelos quais Mário Jiménez admirava Pablo Neruda. As suas metáforas traziam-lhe sentimentos que ele não conseguia definir e proporcionava-lhe uma visão diferente das pequenas coisas mundanas. Foi com alguma surpresa que o jovem recebeu a notícia, ao candidatar-se ao lugar de carteiro da ilha, que o seu único cliente seria precisamente o poeta. Logo na sua cabeça começaram a formar-se fábulas e amizades estreitas, sempre pautadas pelas metáforas.

E por causa das metáforas, Mário perde-se de amores por Beatriz, a filha da viúva González, concessionária da taberna da ilha. Mário pede ajuda a Neruda, tentando conquista-la com poesias e metáforas (sempre as metáforas), mas quem não vai nas cantigas das metáforas é a viúva.

"- Não há pior droga que o blá-blá. Faz uma taberneira de aldeia sentir-se como uma princesa veneziana. E depois, quando chega a hora da verdade, o regresso à realidade, reparas que as palavras são um cheque sem cobertura. Prefiro mil vezes que um bêbedo te apalpe o cu no bar, a que te digam que um sorriso teu voa mais alto que uma mariposa!" (pág. 54)

Mas com a época conturbada que o Chile atravessava nessa altura, depressa o livro salta da poesia para a política. As greves, as rebeliões, toda uma oposição cerrada a Salvador Allende que viria a ser deposto e assassinado poucos dias antes da morte do próprio Pablo Neruda. E é aí que o texto começa a perder brilho. Se falamos de Neruda, quer-se metáforas e poemas, não façanhas e convulsões políticas. Espera-se ouvir falar dos seus momentos de recolhimento junto ao mar na Ilha Negra, não dos dias que passou como embaixador em Paris. E tudo isto faz com que o leitor espere muito mais do que aquilo que o livro realmente dá, deixando-lhe um sentimento estranho no peito.

900 Anos a Irritar os Espanhóis

Março 03, 2017

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Autora: Margarida de Magalhães Ramalho

Editora: Matéria-Prima Edições

Ano: 2014

 

Quando se fala em temas ligados à História, tenho sempre a tendência de comentar de esta não deve ser ignorada. Um povo que fecha os olhos à sua História é um povo que não quer evoluir. É um povo que não quer aprender com os erros, que não se importa com o perpetuar de vícios antigos e de fórmulas obsoletas.

900 Anos a Irritar os Espanhóis debruça-se nesta picardia antiga que vem desde os tempos da formação do nosso país. A linguagem é precisa, os factos seguem uma linha cronológicas e estão bem documentados com referências variadas mas, ao contrário do que se podia pensar num livro de não-ficção relacionado com História, não é um livro maçador. A autora não tem problema nenhuma em mandar umas alfinetadas de quando em vez e usa com bastante frequência ditados populares ou frases feitas no texto. Aliás, a própria autora na introdução do livro refere que a maioria das pessoas não lia mais livros de História por estes serem demasiado longos ou com uma linguagem demasiado específica, escritos a pensar nos especialistas.

Desde a formação do Condado Portucalense, que mais tarde se iria a transformar no reino de Portugal, passando pela Crise de 1383-85, pelo Tratado de Tordesilhas que dividiu o Mundo ao meio ou o momento em que Portugal perdeu a independência para Espanha, só a resgatando em 1640, são aqui abordadas invasões, guerras e guerrilhas, casamentos e "descasamentos" e ingerências várias de parte a parte. Mencionam-se as lendas que todos crescemos a ouvir como a da Padeira de Aljubarrota, a do Alcaide de Faria (passada em Barcelos) ou até a épica batalha de S. Jorge com a Coca, uma besta infernal que atacava as tropas lusas em Aljubarrota.

A autora, Margarida Ramalho, e o jornalista Rui Cardoso trazem também à ribalta outras pequenas curiosidades como as picardias no desporto (das goleadas do Benfica de Eusébio aos sucessos de José Mourinho no Real Madrid, passado pela velha rivalidade nos ringues de hóquei em patins), as ingerências diplomáticas aquando da fuga do Rei Carol da Roménia de Espanha para Portugal ou as gárgulas de rabo ao léu virado para Espanha nas cidades raianas.

A Catedral do Mar

Fevereiro 28, 2017

falcones.jpg

 

Autor: Ildefonso Falcones

 

Editora: Bertrand (11x17)

 

Ano: 2010

 

 

 


 " - A nossa será toda ao contrário; não será tão longa, nem tão alta, mas será muito larga, para que caibam todos os catalães, juntos diante da Virgem. Um dia, quando estiver acabada, poderás comprovar isso: o espaço será comum para todos os fiéis, não haverá distinções e como única decoração... a luz, a luz do Mediterrâneo. Nós não precisamos de outra decoração: só do espaço e da luz que entrará por ali (...). - Esta igreja será para o povo, não para maior glória de algum príncipe." (pág. 276/7)

 

No momento em que Barcelona procurava um novo templo, Berenguer de Montagut decidiu mudar o paradigma dessas grandes construções. Abandonou as grandes construções, as decorações ricamente trabalhadas, as expressões de riqueza e grandiosidade. Aquele templo iria marcar a diferença pelo estilo mas pelo modo como foi edificado. Desde o início que a sua construção foi muito assente na ajuda popular. Os bastaixos, simples carregadores do porto, traziam às costas desde a Pedreira Real as pedras para a estrutura. Todas as classes de trabalhadores tinham a sua participação em alguma fase da construção.

 

A tudo isto assistiu Arnau Estanyol. O pai, Bernat, e ele fugiram da sua pequena aldeia dominada pelo senhor de Navarcles, Llorenç de Bellera, numa Catalunha ainda vergada aos maus costumes medievais. O senhor tinha direito a deitar-se com a nova esposa do seu servo no dia do casamento. Tinha o direito de exigir que os servos trabalhassem sem remuneração nas suas terras. Tinha o direito de obrigar a esposa de um dos seus servos a amamentar os seus filhos. Ao saber que se ficassem em Barcelona sem serem denunciados durante 1 ano e 1 dia estaria livres, Bernat e Arnau contaram com a ajuda de Grau Puig, seu cunhado, um conhecido ceramista da cidade. Arnau cresceu e acompanhou a construção da casa da Virgem de la Mar, da sua mãe. Deu água aos bastaixos, carregou pedras tornando-se um deles, tornou-se cambista e financiou a construção.

 

Enquanto a catedral se erguia, a vida em Barcelona corria ora calma, ora tumultuosa. Convocavam-se hosts, declaravam-se guerras, cresciam e abafavam-se rebeliões, morria-se de fome e de peste negra. Tudo isto numa época obscura de fanatismo religioso e mentes fechadas.

 

É um lado da História que ninguém pode ignorar. Todo o ódio de cristãos para com os judeus. Todo o fanatismo criado pela Inquisição. Todas as atrocidades que os donos de terras cometiam com quem os servia. Todos os tratados que reduziam as mulheres a seres fracos e facilmente corruptíveis.

 


"- Em segundo lugar, porque as mulheres, por natureza, por criação, têm pouco senso comum e, em consequência disso, não existe freio para a sua malícia natural." (pág. 290)

 

E por fim, todas as descrições que nos arrepiam a alma. Os relatos de fome provocado pelos maus anos agrícolas, a mortandade provocada pela peste negra, o ecoar de um Via fora! e os repicar nos sinos por toda a cidade. Mas principalmente o relato do trabalho dos bastaixos, os mais privilegiados na organização da Catedral, os zeladores da capela mais importante do templo, homens que levavam às costas pedras com o dobro do seu tamanho com um sorriso na cara.

I'm In Love With a Pop Star

Fevereiro 17, 2017

margarida rebelo pinto.jpg

Autora: Margarida Rebelo Pinto

Editora: Oficina do Livro

Ano: 2003

 

Aos 16 anos, Pam considerava-se uma menina muito atinada, muito senhora do seu nariz, pralá de organizada na sua teoria do quarto de hora. A mais recente relação da mãe, divorciada como parece vem a ser "moda" nos tempos que correm, trouxe por arrasto o seu melhor amigo, o Pedro, por quem tem um fraquinho. Conta também com a amizade da Joana, uma miúda limitada e com uma mentalidade um bocado masculina ("há pessoas que são para comer e outras para serem digeridas") mas que no fundo é boa pessoa e tem bom coração.

Nunca na vida a Pam achou que um simples DVD de um pop star, um "macaquito das calças largueironas", lhe iria fazer embarcar numa daquelas aventuras que ficam gravadas na memória por muitos anos. Estava a ser bafejada pela sorte, pensava ela. Que Deus ajudava quem se ajudava a si próprio, tinha ela a certeza.

"As nossas grandes vitórias só têm sabor se forem aquelas com que sonhámos. Se passarem ao lado do nosso sonho, não nos sabem sequer a vitórias, mas a outra coisa, um prémio de consolação que é dado aos que perdem nas provas mais importantes." (pág. 206)

Parece estranho e quase profético terminar um livro onde uma mãe acha normal que a filha vá sozinha para uma cidade desconhecida atrás de uma fantasia criada por um DVD praticamente no mesmo dia em que se revela que a juventude de hoje acha normal que se insultem pessoas gratuitamente nas redes sociais ou que se publiquem fotos intimas na Internet. Gosto da mensagem sub-entendida no enredo.

"Aprendi muito com esta viagem. Aprendi que os nossos sonhos se podem tornar realidade. Aprendi que nem tudo é como pensamos, porque pode ser ainda melhor. Aprendi a acreditar no que penso e sinto, mesmo que seja diferente daquilo que vejo." (pág. 201)

E gosto da escrita pateta, descomplexada e cheia de clichés da Margarida Rebelo Pinto. Gosto de me irritar com aquela mania de colocarem os filhos a tratar os pais por você. Gosto de me irritar com o facto de ver sempre escrito "Kave Magra" quando sei que a técnica de combate se chama "Krav Maga". Pode não ser a escrita mais eloquente do mundo, capaz de ombrear com os grandes clássicos. Mas se for capaz de nos entreter, capaz de nos fazer rir com algumas tiradas mais patéticas das personagens, o livro já fez o seu papel.

(E com isto fiquei com vontade de rever o "Notting Hill" pela milésima vez...)

Cruzando o Caminho do Sol

Fevereiro 14, 2017

corban addison.jpg

Autor: Corban Addison

Editora: Novo Conceito

Ano: 2012

"- Você não está aqui porque eu sinto prazer no comércio sexual. Você está aqui porque existem homens que gostam de pagar por sexo. Eu sou apenas o intermediário. Alguns homens de negócios vendem objetos. Outros vendem conhecimento. Eu vendo fantasias. É tudo a mesma coisa."

Eis o grande drama do mundo moderno. Haver humanos que acham normal fazer de outros humanos mercadoria e com isso comprar e vender vidas humanas a seu belo prazer.

Quando um Tsunami devasta a zona costeira da Índia, Sita e Ahalya Ghai, duas irmãs, são deixadas à sua sorte. Toda a família foi apanhada pela mortandade daquela onda. Na tentativa de alcançar a segurança do colégio de freiras de St. Mary, as irmãs acabam nas malhas do tráfico. Obrigadas a submeterem-se às perversões de quem paga por sexo, as meninas são atiradas para o mundo dos bordeis, dos clubes de striptease, da pornografia e da prostituição de luxo ou de rua. E se primeiro as duas meninas não entendiam o porquê daquela vida, depois resignaram-se.

"Uma beshya não podia esperar da vida nada além do ar em seus pulmões, água e comida em seu estômago, um teto sobre sua cabeça e a afeição daquelas como ela. Para sobreviver em um mundo como esse, ela teria que arrancar o coração do corpo. Não havia outra opção."

Já Thomas Clarke viu o tapete a fugir-lhe debaixo dos pés. Primeiro pela esposa que voltou para Mumbai após a morte da filha e depois pela sociedade de advogados em que trabalhava depois de perderem um caso altamente mediático. Colocado entre a espada e a parede, ingressa por um ano na ACES, em Mumbai, para ajudar a travar o tráfico humano na Índia.

Como não está editado em Portugal, a edição que li tem tradução do Brasil. Mas não foi entrave, as descrições horrendas das condições das raparigas são poderosas e horripilantes em qualquer língua. O asco por quem trata pessoas como animais da feira do gado passa para o leitor em qualquer língua. A sensação de desespero e medo de quem se vê privada da liberdade passa em qualquer língua. E mesmo a parte mais descritiva do texto relacionado com a Índia transparece de qualquer maneira para quem lê. O fedor das ruas mal limpas. Os escapes das centenas de motos, carros, autocarros, riquexás que serpenteiam perigosamente pelas ruas da cidade. E com o avançar da leitura, sentes que estás a levar um arraial de pancada emocional e cresce em ti uma onda de indignação face a tudo isto. Aos criminosos que dão a volta ao sistema para se safar, à sociedade que fecha os olhos para não se chatear muito.

Livros destes precisam existir para que se abram as mentes, que os vícios de milénios sejam abandonados, para que o humanismo não seja apenas uma palavra bonita para incluir em relatórios pomposos. Mas principalmente para que se restaure a fé que, uma pessoa de cada vez, se vai conseguir que pessoas deixem de comprar pessoas.

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