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This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

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A Lua de Joana

a lua de joana.jpg

Autora: Maria Teresa Maia González

Editora: Pi

Ano: 2011

 

O funeral de Marta estava ainda fresco na realidade de todos. A família navegava entre a tristeza e a revolta, os amigos estavam incrédulos e a Joana, sua grande amiga de infância sentia-se desamparada. Não queria escrever um diário, achava demasiado mórbido. Não sabia com quem conversar sobre os assuntos da sua idade. Por isso começou a escrever cartas à amiga. Muitas delas escritas no ponto central do seu quarto, a sua lua.

"(...) é uma meia-lua de madeira (branca, claro) que está suspensa do tecto por uma corrente, mesmo no meio do quarto. (...) Quando quero pensar, coloco-a em posição de quarto crescente e, quando estou triste, rodo-a para quarto minguante e sento-me até que a tristeza me passe." (pág. 10)

Joana, que sempre foi boa aluna, começa a sentir que está a perdeu as suas pedras de apoio. A mãe sempre ocupada com a loja, o pai sempre ausente no consultório, o irmão sempre ausente na caverna a que chamava quarto. Marta e depois a avó Ju que ficarão ausentes para sempre. Todas essas ausências começam a ficar visíveis no seu dia-a-dia. A falta de paciência para os estudos, a falta de interesse pelos hobbies que tinha.

O enredo do livro não deixa dúvidas. Fala-se em droga e no quão fácil é cair no vício. Qualquer viciado terá o discurso da Rita na ponta da língua, que sabe parar a tempo. O problema é que nunca parar, nem a tempo nem fora de tempo. Mas fala também de um fenómeno cada vez mais recorrente e chocante.

"Os adultos não estão para se chatear, é um esforço muito grande para eles. Aliás, o meu pai tem outra justificação: ele não tem tempo para se chatear. Uma discussão, um ralhete, um sermão, são coisas que podem durar horas, e ele não se pode dar a esse luxo, tem coisas muito importantes para fazer..." (pág. 106)

Pais que embrenhados no corre-corre do dia-a-dia não se dão conta das mudanças na vida dos filhos. Pais que só se dão conta que os filhos estão mudados quando as notas são espelho disso. Pais que acham que o assunto vai para debaixo do tapete se levarem os filhos ao psicólogo.

Maria Teresa González tem um condão na sua escrita de dar umas quantas lições de vida. Este "A Lua de Joana" não fica atrás.

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