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This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

This Is Me in a Nuttshell

08
Abr17

Contos da Montanha

miguel torga.JPG

Autor: Miguel Torga

Editora: Booket

Ano: 2007 

 "Os montes eram um gosto vê-los. Cobertos de urze, roxos, tinham perdido a força bruta que o Janeiro lhes dera. O céu, sem nuvens, varrido, cobria-os como um tecto de cetim. E os ribeiros, que os sulcavam de frescura, pareciam veias fecundas dum grande corpo deitado." (de " A Ladaínha", pág. 105)

As montanhas são o ponto em comum a todos os contos, não fosse Miguel Torga também ele filho dessas montanhas. Apesar de serem descrições duras, não deixam de ter a beleza das coisas simples. Cada conto funciona por si mas ao mesmo tempo funcionam como um todo. Como se fossem capítulos de uma história e de uma vivência comuns. Todos partilham as agruras das fragas dos montes, as condicionantes do clima na agricultura, a falta de alimento. Todos partilham as superstições, as tradições e os costumes.

"A Maria Lionça, essa, ficou. Como todas as mulheres da montanha, que no meio do gosto do amor enviuvam de homens vivos do outro lado do mar, também ela teria de sofrer a mesma separação expiatória,a pagar os juros da passagem anos a fio, numa esperança continuamente renovada e desiludida na loja da Purificação, que distribuia o correio com a inconsciente arbitrariedade dum jogador a repartir as cartas de um baralho." (de "Maria Lionça", pág.16)

As personagens que vamos conhecendo e as situações que vamos vivendo nestas linhas são aquelas que esperamos encontrar num meio rural. As mulheres viúvas e experientes a quem toda a gente tem respeito e pede conselhos. As romarias onde nasceram tantos namoros que mais tarde darão em casamentos. As invejas que só com uma bruxa acabam resolvidas. O apego às devoções na hora do aperto. A resignação das pessoas nos seus modos de vida porque é assim que Deus quer.

Até os diálogos expressam essa ruralidade. O modo de pensar muito terra-a-terra, as cantigas que ao desafio ou em harmoniam inundavam os campos na hora do trabalho, os ditados e as frases ditas pelos antigos.

São retratos de uma realidade que pode parecer distante mas que em alguns pontos, em vales escondidos e fragas menos exploradas, ainda vai subsistindo.

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    Bela reflexão. Parabéns!Gosto de Miguel Torga.

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