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This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

This Is Me in a Nuttshell

02
Dez16

O Álbum de Clara

Maria Teresa Gonzalez.jpg

 Autora: Maria Teresa Maia González

Editora: Difel

Ano: 1999

 

Confesso, já não me recordo quem me ofereceu este livro mas recordo que o momento em que foi oferecido caiu que nem ginjas. Sempre fui uma criança e mais tarde uma adolescente a quem o sistema imunitário e a saúde foram uns belos sacaninhas. Para quem está a crescer, para quem está a passar os anos mais conturbados da vida (hormonas aos saltos, eu contra o mundo, "ninguém me compreende!"), lidar com idas constantes ao hospital porque os pulmões resolveram aprisionar "gatos" ou porque uma daquelas crises de alergia me inchou tipo rã das fábulas não foi fácil.

A Clara foi uma espécie de inspiração. Esta personagem era uma rapariga popular no colégio, menina inteligente, gira, bem relacionada, com um espírito sempre alegre e de repente, zás! o destino lembra-se em ser sacaninha e todo esse cenário perfeito desaparece num piscar de olhos por causa de um autocarro que a "passa a ferro". A Clara tem que aprender tudo de novo: andar, falar, escrever. Com a personalidade forte que ela tem, não é fácil ter que pedir ajuda para tudo, lidar com as suas próprias limitações e mesmo lidar com "os outros" ("L'infer c'est les autres", já dizia Jean-Paul Sartre).

E se houve coisa que faltou à Clara e a mim também foi a paciência.

- Paciência, já sei, toda a gente me diz isso, suponho que deve ser verdade... Só que, com quinze anos, a paciência não costuma ser o forte de ninguém... (Pág. 26)

Paciência que o corpo responda (no caso dela), paciência que os tratamentos resultem (no meu caso), paciência para perceber que as preocupações e perguntas dos que nos são chegados não são paranóias (nas duas).

Naquele momento e agora também, a lição que levo do livro é simples mas poderosa. Não vamos ser assim para sempre, estamos em constante mutação. Tal como a lagarta um dia se transforma em borboleta, também cada um de nós vai sair mais bela das suas provações. E se não conseguir ser mais bela, pelo menos sai mais forte, com fibra e estofo para enfrentar as pancadas que a vida quiser dar. Aquela doença, aquele problema não nos define como pessoas. Faz antes parte de nós e cabe-nos a nós ser uma melhor pessoa que tem esse elemento na vida que é um detalhe.

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