Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

Um Momento Inesquecível

Abril 26, 2017

Um-Momento-Inesquecivel.jpg

 

 Autor: Nicholas Sparks

 

Editora: Editorial Presença

 

Ano: 2004

 

 

 

London é um rapaz de 17 anos. O pai é um homem conhecido, membro do Congresso Americano, o que faz com que Landon seja um jovem com posses, muito popular, com alguns vícios e maus hábitos. As notas não são as mais famosas mas por "ideia" do pai, candidata-se à presidência da associação de estudantes porque isso ficaria bem no currículo. Também por causa das notas, Landon increve-se nas aulas de teatro. Para esse ano, a peça a levar à cena seria a escrita pelo Rev. Sullivan, e a protagonista obviamente seria a filha, Jamie. 

 


"Era, por outras palavras, o tipo de rapariga que nos fazia parecer maus, e sempre que ela olhava para mim, não podia deixar de me sentir culpado, mesmo que não tivesse feito nada de errado." (pág. 25)

 

Jamie era diferente de todas as outras raparigas da escola. Em vez de calças de ganga ou minissaia, Jamie preferia a sua saia por baixo do joelho em xadrez e a sua camisola castanha. Em vez de ir para o café ou às compras, passava o seu tempo livre com as crianças do Orfanato da cidade. A sua Bíblia, um livro muito especial, era como se fosse a sua melhor amiga, acompanhando-a para onde quer que fosse. A sua simpatia era alvo da chacota de toda a gente na escola.

 

O outro protagonista da peça acabou por ser Landon e com o avançar dos ensaios, e contrariamente aos desejos dela, os dois começam a aproximar-se ao ponto de declararem os sentimentos que tinham um pelo outro. Mas Jamie esconde um segredo que deixa Landon sem reacção numa primeira fase. Passado o choque inicial, Landon promete a si próprio, mas também ao pai dela, que tudo fará para a fazer feliz, seja por muito ou por pouco tempo.

 


"Se Jamie me ensinara alguma coisa durante aqueles ultimos meses, foi que era através dos actos - não dos pensamentos ou das intenções - que se julgavam os outros, (...)." (pág. 144)

 

Apesar de ser um livro marcadamente voltado para o romance, neste caso um romance de adolescente, existe no enredo mensagens bem mais densas do que um simples "namorisco" de miúdos. Uma é a Fé. Todos nós, em algum momento da vida, nos questionamos sobre aquilo que poderá ser o destino ou os desígnios de Deus, como tantas vezes a Jamie evocava. Aqueles eventos já estariam "escritos" ou somos nós que traçamos o nosso próprio caminho? A outra está relacionada com as diferenças entre as pessoas e a aceitação entre elas. Tomos somos diferentes e ninguém tem o direito de menosprezar quem quer que seja só porque não pensam, ajem ou se parecem como nós. Isso faz também reflectir até que ponto essas mesmas diferenças são factores de aproximação entre as pessoas. Será que a velho ditado que diz que os opostos atraem-se é mesmo verdade ou para que duas pessoas de personalidades diferentes se possam entender é preciso mais do que mera atracção? São linhas que nos deixam a refletir...

A Casa

Abril 21, 2017

a casa andré vianco.jpg

 

Autor: André Vianco

 

Editora: Novo Século

 

Ano: 2002 

 


"O alívio para o coração atormentado está aqui"

 

Num momento mais depressivo e terrível das suas vidas, um pequeno cartão com esta misteriosa frase e uma morada chegou às mãos de 4 estranhos. Rosana vivia angustiada com a morte do marido, provocada, segundo ela, pela traição da própria. Hélio vivia consumido pela culpa de nunca ter aceitado a filha doente e que a levou ao suicídio. Ismael era um viciado no trabalho porque prometeu a si mesmo que não ia ser um falhado como o pai, que faleceu pouco depois de uma enorme discussão entre eles. Leonora, ou Leon, vivia consumida pela desilusão de ter sido posta fora de casa pelos pais quando assumiu a sua homossexualidade.

 

Aquele pequeno cartãozinho iria leva-los a todos a uma casa amarela, onde todos os dias se amontoava gente à porta em busca do mesmo, alívio. Alívio esse que chegaria em forma de perdão.

 


"Cada um de vocês encontrará o tesouro mais precioso de suas vidas atrás dessas portas... (...) cada um de vocês terá o direito de tentar de novo. Terá direito a uma segunda chance. Não vão desperdiçar esse presente do destino; são poucos que o têm. Tudo poderão fazer. Poderão mudar. Viver. (...) Peçam desculpas. Perdoem. Salvem suas vidas. Curem seus corações. Nem mais. Nem menos."

 

Todo o enredo gira em torno desse conceito, o do perdão. De dar segundas oportunidades. Poderá até dizer-se da hipótese de redenção. É também um enredo que sai um pouco da esfera habitual da escrita de André Vianco, conhecido pelos seus livros com uma temática mais ligada a criaturas do mundo do fantástico como vampiros, anjos ou demónios. Não deixa de ser uma temática sobrenatural mas entra mais no capítulo do espiritismo, sem cair nos esteriotipos a ele ligados.

 

As páginas fluem muito levemente, o que pode parecer estranho com uma temática tão ligada a sentimentos negativos. Isso faz com que a mensagem se cole à nossa pele. Lembra-nos que todos nós temos um fim à vista e que não devemos perder a oportunidade de falar com as pessoas de quem gostamos, dizer-lhes o quanto gostamos delas, o quanto nos fazem falta quando não estão perto. Que não devemos deixar nada por dizer, sob pena de mais tarde nos arrependermos quando elas desaparecem das nossas vidas. São páginas que nos deixam, definitivamente, a pensar no sentido da nossa vida.

O Carteiro de Pablo Neruda (Ardente Paciência)

Março 04, 2017

carteiro de pablo neruda - livro.jpg

Autor: António Skármeta

Editora: Leya (Colecção BIS)

Ano: 2011

"As palavras temos de saborea-las. Temos de deixá-las desfazerem-se na boca." (pág.91)

Eis uns dos motivos pelos quais Mário Jiménez admirava Pablo Neruda. As suas metáforas traziam-lhe sentimentos que ele não conseguia definir e proporcionava-lhe uma visão diferente das pequenas coisas mundanas. Foi com alguma surpresa que o jovem recebeu a notícia, ao candidatar-se ao lugar de carteiro da ilha, que o seu único cliente seria precisamente o poeta. Logo na sua cabeça começaram a formar-se fábulas e amizades estreitas, sempre pautadas pelas metáforas.

E por causa das metáforas, Mário perde-se de amores por Beatriz, a filha da viúva González, concessionária da taberna da ilha. Mário pede ajuda a Neruda, tentando conquista-la com poesias e metáforas (sempre as metáforas), mas quem não vai nas cantigas das metáforas é a viúva.

"- Não há pior droga que o blá-blá. Faz uma taberneira de aldeia sentir-se como uma princesa veneziana. E depois, quando chega a hora da verdade, o regresso à realidade, reparas que as palavras são um cheque sem cobertura. Prefiro mil vezes que um bêbedo te apalpe o cu no bar, a que te digam que um sorriso teu voa mais alto que uma mariposa!" (pág. 54)

Mas com a época conturbada que o Chile atravessava nessa altura, depressa o livro salta da poesia para a política. As greves, as rebeliões, toda uma oposição cerrada a Salvador Allende que viria a ser deposto e assassinado poucos dias antes da morte do próprio Pablo Neruda. E é aí que o texto começa a perder brilho. Se falamos de Neruda, quer-se metáforas e poemas, não façanhas e convulsões políticas. Espera-se ouvir falar dos seus momentos de recolhimento junto ao mar na Ilha Negra, não dos dias que passou como embaixador em Paris. E tudo isto faz com que o leitor espere muito mais do que aquilo que o livro realmente dá, deixando-lhe um sentimento estranho no peito.

Cruzando o Caminho do Sol

Fevereiro 14, 2017

corban addison.jpg

Autor: Corban Addison

Editora: Novo Conceito

Ano: 2012

"- Você não está aqui porque eu sinto prazer no comércio sexual. Você está aqui porque existem homens que gostam de pagar por sexo. Eu sou apenas o intermediário. Alguns homens de negócios vendem objetos. Outros vendem conhecimento. Eu vendo fantasias. É tudo a mesma coisa."

Eis o grande drama do mundo moderno. Haver humanos que acham normal fazer de outros humanos mercadoria e com isso comprar e vender vidas humanas a seu belo prazer.

Quando um Tsunami devasta a zona costeira da Índia, Sita e Ahalya Ghai, duas irmãs, são deixadas à sua sorte. Toda a família foi apanhada pela mortandade daquela onda. Na tentativa de alcançar a segurança do colégio de freiras de St. Mary, as irmãs acabam nas malhas do tráfico. Obrigadas a submeterem-se às perversões de quem paga por sexo, as meninas são atiradas para o mundo dos bordeis, dos clubes de striptease, da pornografia e da prostituição de luxo ou de rua. E se primeiro as duas meninas não entendiam o porquê daquela vida, depois resignaram-se.

"Uma beshya não podia esperar da vida nada além do ar em seus pulmões, água e comida em seu estômago, um teto sobre sua cabeça e a afeição daquelas como ela. Para sobreviver em um mundo como esse, ela teria que arrancar o coração do corpo. Não havia outra opção."

Já Thomas Clarke viu o tapete a fugir-lhe debaixo dos pés. Primeiro pela esposa que voltou para Mumbai após a morte da filha e depois pela sociedade de advogados em que trabalhava depois de perderem um caso altamente mediático. Colocado entre a espada e a parede, ingressa por um ano na ACES, em Mumbai, para ajudar a travar o tráfico humano na Índia.

Como não está editado em Portugal, a edição que li tem tradução do Brasil. Mas não foi entrave, as descrições horrendas das condições das raparigas são poderosas e horripilantes em qualquer língua. O asco por quem trata pessoas como animais da feira do gado passa para o leitor em qualquer língua. A sensação de desespero e medo de quem se vê privada da liberdade passa em qualquer língua. E mesmo a parte mais descritiva do texto relacionado com a Índia transparece de qualquer maneira para quem lê. O fedor das ruas mal limpas. Os escapes das centenas de motos, carros, autocarros, riquexás que serpenteiam perigosamente pelas ruas da cidade. E com o avançar da leitura, sentes que estás a levar um arraial de pancada emocional e cresce em ti uma onda de indignação face a tudo isto. Aos criminosos que dão a volta ao sistema para se safar, à sociedade que fecha os olhos para não se chatear muito.

Livros destes precisam existir para que se abram as mentes, que os vícios de milénios sejam abandonados, para que o humanismo não seja apenas uma palavra bonita para incluir em relatórios pomposos. Mas principalmente para que se restaure a fé que, uma pessoa de cada vez, se vai conseguir que pessoas deixem de comprar pessoas.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.