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This Is Me in a Nuttshell

... que é como quem diz, esta aqui sou eu. Rodeada de livros, com música nos ouvidos, com cinema ou séries no ecrã da TV ou Youtube no computador. Não é difícil me fazer feliz. Bem vindos :)

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Uma Família Inglesa

Julho 05, 2017

Uma Família Inglesa.jpg

Autor: Júlio Dinis

Editora: Editorial Comunicação

Ano:1985

 

Fruto das longas e prósperas relações comerciais entre Inglaterra e Portugal, o número de emigrantes vindos do país de Sua Majestade sempre foi elevado. A comunidade que se formou no Porto era uma das maiores do país e é dessa comunidade que faz parte uma das famílias que protagoniza este enredo.

Richard Whitestone é um exemplo perfeito do típico chefe de família inglês. Dono de uma conceituada firma de exportação situada na Rua dos Ingleses, viu-se viúvo muito cedo com dois filhos para criar. Carlos é o bon-vivant, o típico jovem irresponsável que presta pouca atenção às questões familiares, mais preocupado com as acesas discussões filosóficas à mesas dos cafés. Já a irmã, Jenny, assumiu o papel de dona da casa desde a morte da mãe. Muito ponderada e reservada, trabalha incansavelmente para colocar o irmão nas boas graças do pai. Para Mr. Whitestone trabalha Manuel Quintino, seu mais antigo guarda-livros. Também ele viúvo, Quintino é pai de Cecília, uma jovem menina muito próxima de Jenny.

Em plena noite de Carnaval, Carlos e os amigos percorrem alguns dos espaços nocturnos da cidade como o Café Águia d'Ouro ou o Café Guichard, onde vários bailes de Carnaval estão a acontecer. Num desses, Carlos cruza-se com uma misteriosa mascarada com quem entabula conversa a noite toda. Ao insistir em acompanha-la a casa, a mascarada cita o nome de Jenny e Carlos não descansa enquanto não descobre quem é ela.

 "Mas o pensamento humano, quando deveras tomado por uma ideia fixa, em vão se esforça por arrancá-la de si; em vão se desvia para direcções diversas; como um pendor natural o faz voltar de novo a ela." (pág. 302)

Ao contrário de outros escritores da época que retratavam as velhas famílias aristocráticas decadentes ou criticavam os costumes demasiado burgueses da população ou a falência das instituições, Júlio Dinis tem uma visão mais "cor-de-rosa" daquilo que estaria para vir. Viviam-se tempos mais prósperos por isso, este preferia antes enaltecer a iniciativa dos empresários, os esforços dos empreendedores da época. Isso faz com que o texto não tenha um cunho tão realista, como se encontra facilmente em Eça de Queirós, mas antes um sentimento mais idealista. E não há história mais idealista do que aquela para que se inclina o enredo. A menina simples mas trabalhadora que cai nas graças do jovem abastado mas cujo romance sofre sempre uma série de entraves.

"Pelo contrário, ao declinar da tarde, entrava-lhe no coração a nostalgia doméstica: começava a odiar o escritório, a Rua dos Ingleses, o burburinho das praças, e a suspirar, como um expatriado, pela alegria do regresso; extasiava-se em ver de casa o astro do dia, e sumir-se no oceano; espectáculo magnífico ao qual da varanda da sala de jantar assistia com o prazer do espectador que de um camarote de frente presenceia a vista final de glória de um drama sacro." (pág. 199)

Júlio Dinis passa também para a narrativa uma extensa caracterização dos espaços físicos e sociais do Porto, desde as ruas mais comerciais, as zonas de boémia como os teatros ou os cafés na zona onde existe hoje a Praça da Batalha, a zona da Foz ou o bairro onde se concentravam a grande maioria das famílias inglesas que hoje corresponde à zona de Cedofeita. A título de exemplo, o Cemitério dos Ingleses e a Igreja Anglicana existem até aos dias de hoje e ficam junto à Maternidade baptizada precisamente com o nome de Júlio Dinis. Mas a principal mensagem que passa no livro vai de encontro aos cânones morais da época. O mais importante da vida é a família e que o trabalho e a dedicação a uma causa ou uma profissão são o bastante para a redenção de uma pessoa, tornando-a numa pessoa de bem.

O Crime do Padre Amaro - Cenas da Vida Devota

Maio 22, 2017

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Autor: Eça de Queirós

 

Editora: Livros do Brasil

 

Ano: 2008

 

 

 

Amaro Vieira nunca quis ser padre mas por decisão da marquesa que o educou desde a infância, acabou por ser inscrito no seminário. Na sua visão, a vida de padre iria priva-lo daquilo que mais queria: estar com mulheres, abraça-las, envelhecer ao lado de alguém, ter uma família. A disciplina do seminário transformou-o numa espécie de autómato, apesar de por dentro, o desejo carnal borbulhar intensamente. Após a ordenação, Amaro é colocado numa aldeia muito pobre no meio da serra, habitada por pastores e pouco mais. Depressa se cansou e tentou a sua sorte junto da família da marquesa pois a sua influência poderia chegar ao ministro e dali ao bispo. Pouco tempo depois, Amaro chegava a Leiria, a sede do bispado.

 

Na cidade, gozava da orientação do Cónego Dias, seu mentor no seminário, que logo tratou de lhe arranjar uma casa respeitável para morar. A solução foi a casa da D. Augusta Caminha, mais conhecida por S. Joaneira, uma viúva muito devota, mãe de uma bela jovem, a Amélia. Desde o primeiro momento que Amaro e Amélia não ficaram indiferentes um ao outro. Com o avançar das semanas, a convivência ao serão e a tensão entre os dois ficava cada vez mais difícil de disfarçar perante quem frequentava esses serões.

 


"Ao pé dela, muito fraco, muito langaroso, não lhe lembrava que era padre; o Sacerdócio, Deus, a Sé, o Pecado ficavam em baixo, longe: via-os muito esbatidos do alto do seu enlevo, como de um monte se vêem as casas desaparecer no nevoeiro dos vales; e só pensava então na doçura infinita de lhe dar um beijo na brancura do pescoço, ou mordiscar-lhe a orelhinha."(pág.103)

 

Quem não achou graça a essa tensão foi João Eduardo, um jovem escrivão do cartório que estava de namoro com Amélia. Num acesso de ciúmes, publica um comunicado no jornal onde expõe todos os podres que sabe sobre os padres da zona. O escrito caiu como uma bomba e alguns dos citados não descansaram enquanto não descobriram o autor do texto. João Eduardo caiu em desgraça e os amores de Amélia e Amaro incendiaram-se. Um amor doentio e desenfreado que acaba em tragédia.

 

 Podemos atribuir ao escritores da Geração de 70, da qual fazia parte Eça de Queirós, a introdução do movimento realista em Portugal. A primeira grande obra a fazer montra dele foi, precisamente, "O Crime do Padre Amaro". O foco principal da obra é a crítica dura e directa à Igreja Católica. Os jogos de aparências, o moralismo vazio dos dogmas e costumes religiosos ou as contradições entre a doutrina que os padres pregam e aquilo que realmente fazem são passados aos leitores através de várias personagens.

 


"Era, pois verdade o que se cochichava no seminário, o que lhe dizia o velho padre Sequeira, cinquenta anos pároco da Gralheira. "Todos são do mesmo barro", todos são do mesmo barro, - sobem em dignidades, entram nos cabidos, regem os seminários, dirigem as consciências envoltos em Deus como numa absolvição permanente, e têm no entanto numa viela, uma mulher pacata e gorda, em casa de quem vão repousar das atitudes devotas e da austeridade do ofício, fumando cigarros de estanco e palpando uns braços rechonchudos!" (pág.110)

 

Outro dos grandes temas presentes no livro debruça-se no aspecto mais social e económico. Eça de Queirós critica as diferenças entre as populações e o clero. Se nas cidades se notava pouco, nas pequenas aldeias notava-se bastante como a população passava grandes privações enquanto que os padres viviam vidas fartas e regaladas. Mas neste aspecto, a grande crítica vai para o comportamento das pessoas. Eça de Queirós aponta um dedo feroz a toda a maledicência, bisbilhotice, futilidade, superficialidade e vazio interior da pessoas. Aponta também ao desejo do poder através da religião, ao emprego da religião como força política e à crítica ao culto da aparência e da convenção.

 

E todo este enredo é embelezado depois por um uso brilhante do naturalismo, tão característico de Eça de Queirós. As descrições detalhadas das serras esfriam-nos os ossos até ao tutano. A visão dos campos trazem ao imaginário o perfume das flores. As imagens da Praia da Vieira traz o cheiro a maresia aos sentidos.

Contos da Montanha

Abril 08, 2017

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Autor: Miguel Torga

Editora: Booket

Ano: 2007 

 "Os montes eram um gosto vê-los. Cobertos de urze, roxos, tinham perdido a força bruta que o Janeiro lhes dera. O céu, sem nuvens, varrido, cobria-os como um tecto de cetim. E os ribeiros, que os sulcavam de frescura, pareciam veias fecundas dum grande corpo deitado." (de " A Ladaínha", pág. 105)

As montanhas são o ponto em comum a todos os contos, não fosse Miguel Torga também ele filho dessas montanhas. Apesar de serem descrições duras, não deixam de ter a beleza das coisas simples. Cada conto funciona por si mas ao mesmo tempo funcionam como um todo. Como se fossem capítulos de uma história e de uma vivência comuns. Todos partilham as agruras das fragas dos montes, as condicionantes do clima na agricultura, a falta de alimento. Todos partilham as superstições, as tradições e os costumes.

"A Maria Lionça, essa, ficou. Como todas as mulheres da montanha, que no meio do gosto do amor enviuvam de homens vivos do outro lado do mar, também ela teria de sofrer a mesma separação expiatória,a pagar os juros da passagem anos a fio, numa esperança continuamente renovada e desiludida na loja da Purificação, que distribuia o correio com a inconsciente arbitrariedade dum jogador a repartir as cartas de um baralho." (de "Maria Lionça", pág.16)

As personagens que vamos conhecendo e as situações que vamos vivendo nestas linhas são aquelas que esperamos encontrar num meio rural. As mulheres viúvas e experientes a quem toda a gente tem respeito e pede conselhos. As romarias onde nasceram tantos namoros que mais tarde darão em casamentos. As invejas que só com uma bruxa acabam resolvidas. O apego às devoções na hora do aperto. A resignação das pessoas nos seus modos de vida porque é assim que Deus quer.

Até os diálogos expressam essa ruralidade. O modo de pensar muito terra-a-terra, as cantigas que ao desafio ou em harmoniam inundavam os campos na hora do trabalho, os ditados e as frases ditas pelos antigos.

São retratos de uma realidade que pode parecer distante mas que em alguns pontos, em vales escondidos e fragas menos exploradas, ainda vai subsistindo.

A Correspondência de Fradique Mendes: Memórias e Notas

Março 25, 2017

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Autor: Eça de Queirós

 

Editora: Livros do Brasil

 

Ano: 2005

 

 

 


" De sorte que dele bem se pode dizer que foi o devoto de todas as religiões, o partidário de todos os partidos, o discípulo de todas as filosofias - cometa errando através das ideias, embebendo-se convictamente nelas, de cada uma recebendo um acréscimo de substância, mas em cada uma deixando alguma coisa do calor e da energia do seu movimento pensante" (pág. 68)

 

Assim é descrito Carlos Fradique Mendes, homem das letras, das filosofias e dos prazeres da vida que começa a fazer furor nos jornais portugueses em 1869. É um homem viajado, culto, conhecedor das mais variadas teorias filosóficas. Pode agradecê-lo à avó, D. Angelina Fradique, que o criou desde tenra idade nos Açores, e que não se limitou a dar-lhe apenas a educação habitual. Os vários professores que o acompanharam deram-lhe um vasto conjunto de conhecimentos de todos os quadrantes.

 

A primeira parte do livro funciona um pouco como uma apresentação desta personagem. Personagem essa irreal, criada pela Geração de 70 ou Geração de Coimbra, um movimento académico do séc. XIX que veio trazer novas tendências à sociedade, desde a política à literatura. Um dos seus maiores contributos foi a introdução da corrente literária realista, do qual foram prolíferos Ramalho Ortigão ou o próprio Eça de Queirós. Nos capítulos mencionam-se personalidades reais a quem mais tarde foram escritas cartas, num exercício de extrema complexidade e brilhante execução.

 

Já a segunda parte do livro debruça-se sobre as cartas. As cartas a senhoras são enviadas ora à Mme de Jouarre ou à sua amada, Clara. Já as cartas enviadas a homens dividem-se entre poetas, engenheiros, políticos, jornalistas.

 


“Assim passamos o nosso bendito dia a estampar rótulos definitivos no dorso dos homens e das coisas. Não há acção individual ou colectiva, personalidade ou obra humana, sobre que não estejamos prontos a promulgar rotundamente uma opinião bojuda. E a opinião tem sempre, e apenas, por base aquele pequenino lado do facto, do homem, da obra, que perpassou num relance ante os nossos olhos escorregadios e fortuitos. Por um gesto julgamos um carácter: por um carácter avaliamos um povo.” (pág. 216)

 

Os temas abordados também são variados. Desde a religião ao estado da sociedade portuguesa, Fradique Mendes não se coíbe de lançar as suas provocações à moral instituída. E neste momento, o leitor, mesmo sem conhecer a origem desta pessoa, fica a pensar se realmente aquela pessoa existe ou se há ali dedo de alguém mais.

 

 

 

 

Sem Sangue

Março 11, 2017

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Autor: Alessandro Baricco

 

Editora: Biblioteca Sábado

 

Ano: 2009

 

 

 

 Num periodo pós-guerra, Manuel Roca, um médico, refugiou-se numa quinta com os dois filhos. Quando sente que andam atrás dele, prepara com o filho a defesa da casa e esconde a filha, Nina, num alçapão coberto com cestas de fruta.

 


"Gostava de estar assim. Sentia a terra, fresca, debaixo do flanco, a protejê-la - não podia traí-la. E sentia o próprio corpo recolhido, fechado sobre si próprio como uma concha - gostava de o sentir -, era casca e animal, abrigo de si própria, era tudo, era tudo ara si própria, ninguém poderia fazer-lhe mal enquanto continuasse naquela posição - reabriu os olhos, e pensou Não te mexas, és feliz" (pág. 19)

 

Nina assiste a tudo pelas frinchas do soalho. O relato daqueles momentos é violento e assustador. O ódio que se sente em cada palavra gritada está mais do que presente.

 

Anos depois, Nina encontra-se com o dono de um quiosque, um homem já velho. Era Tito, o rapaz que naquele dia lhe poupou a vida. Sentados numa mesa de café, Nina tenta perceber o porquê de tudo o que aconteceu. Mas o relato desses momentos é confuso. Baricco salta constantemente de plano, de personagens. Ora foca-se em Nina, ora passa para Tito, para quem os vê dentro do café.

 


"Então pensou que, incompreensível que a vida seja, provavelmente a atravessamos com o único desejo de regressar ao inferno que nos gerou, e de habitar ao lado de quem, uma vez, nos salvou desse inferno." (pág. 154)

 

O final é inesperado. Com o encontro de Nina e Tito, poderia achar-se que a vingança iria tomar ali forma. Baricco surpreende-nos ao dar uma moralidade diferente ao enredo. Mostra-nos que mesmo com as adversidades da vida, é possível perdoar e avançar.

A Lua de Joana

Março 08, 2017

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Autora: Maria Teresa Maia González

 

Editora: Pi

 

Ano: 2011

 

 

 

O funeral de Marta estava ainda fresco na realidade de todos. A família navegava entre a tristeza e a revolta, os amigos estavam incrédulos e a Joana, sua grande amiga de infância sentia-se desamparada. Não queria escrever um diário, achava demasiado mórbido. Não sabia com quem conversar sobre os assuntos da sua idade. Por isso começou a escrever cartas à amiga. Muitas delas escritas no ponto central do seu quarto, a sua lua.

 


"(...) é uma meia-lua de madeira (branca, claro) que está suspensa do tecto por uma corrente, mesmo no meio do quarto. (...) Quando quero pensar, coloco-a em posição de quarto crescente e, quando estou triste, rodo-a para quarto minguante e sento-me até que a tristeza me passe." (pág. 10)

 

Joana, que sempre foi boa aluna, começa a sentir que está a perdeu as suas pedras de apoio. A mãe sempre ocupada com a loja, o pai sempre ausente no consultório, o irmão sempre ausente na caverna a que chamava quarto. Marta e depois a avó Ju que ficarão ausentes para sempre. Todas essas ausências começam a ficar visíveis no seu dia-a-dia. A falta de paciência para os estudos, a falta de interesse pelos hobbies que tinha.

 

O enredo do livro não deixa dúvidas. Fala-se em droga e no quão fácil é cair no vício. Qualquer viciado terá o discurso da Rita na ponta da língua, que sabe parar a tempo. O problema é que nunca parar, nem a tempo nem fora de tempo. Mas fala também de um fenómeno cada vez mais recorrente e chocante.

 


"Os adultos não estão para se chatear, é um esforço muito grande para eles. Aliás, o meu pai tem outra justificação: ele não tem tempo para se chatear. Uma discussão, um ralhete, um sermão, são coisas que podem durar horas, e ele não se pode dar a esse luxo, tem coisas muito importantes para fazer..." (pág. 106)

 

Pais que embrenhados no corre-corre do dia-a-dia não se dão conta das mudanças na vida dos filhos. Pais que só se dão conta que os filhos estão mudados quando as notas são espelho disso. Pais que acham que o assunto vai para debaixo do tapete se levarem os filhos ao psicólogo.

 

Maria Teresa González tem um condão na sua escrita de dar umas quantas lições de vida. Este "A Lua de Joana" não fica atrás.

900 Anos a Irritar os Espanhóis

Março 03, 2017

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Autora: Margarida de Magalhães Ramalho

Editora: Matéria-Prima Edições

Ano: 2014

 

Quando se fala em temas ligados à História, tenho sempre a tendência de comentar de esta não deve ser ignorada. Um povo que fecha os olhos à sua História é um povo que não quer evoluir. É um povo que não quer aprender com os erros, que não se importa com o perpetuar de vícios antigos e de fórmulas obsoletas.

900 Anos a Irritar os Espanhóis debruça-se nesta picardia antiga que vem desde os tempos da formação do nosso país. A linguagem é precisa, os factos seguem uma linha cronológicas e estão bem documentados com referências variadas mas, ao contrário do que se podia pensar num livro de não-ficção relacionado com História, não é um livro maçador. A autora não tem problema nenhuma em mandar umas alfinetadas de quando em vez e usa com bastante frequência ditados populares ou frases feitas no texto. Aliás, a própria autora na introdução do livro refere que a maioria das pessoas não lia mais livros de História por estes serem demasiado longos ou com uma linguagem demasiado específica, escritos a pensar nos especialistas.

Desde a formação do Condado Portucalense, que mais tarde se iria a transformar no reino de Portugal, passando pela Crise de 1383-85, pelo Tratado de Tordesilhas que dividiu o Mundo ao meio ou o momento em que Portugal perdeu a independência para Espanha, só a resgatando em 1640, são aqui abordadas invasões, guerras e guerrilhas, casamentos e "descasamentos" e ingerências várias de parte a parte. Mencionam-se as lendas que todos crescemos a ouvir como a da Padeira de Aljubarrota, a do Alcaide de Faria (passada em Barcelos) ou até a épica batalha de S. Jorge com a Coca, uma besta infernal que atacava as tropas lusas em Aljubarrota.

A autora, Margarida Ramalho, e o jornalista Rui Cardoso trazem também à ribalta outras pequenas curiosidades como as picardias no desporto (das goleadas do Benfica de Eusébio aos sucessos de José Mourinho no Real Madrid, passado pela velha rivalidade nos ringues de hóquei em patins), as ingerências diplomáticas aquando da fuga do Rei Carol da Roménia de Espanha para Portugal ou as gárgulas de rabo ao léu virado para Espanha nas cidades raianas.

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