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This Is Me in a Nuttshell

This Is Me in a Nuttshell

Not There Yet - Luísa Sobral

  And you're not there yet
But someday you'll be
And you're not there yet
But we'll see

 

Parece que ontem foi o Dia Internacional do Jazz. Um dia, também ele criado pela UNESCO, que tem como objectivo lembrar a importância deste género musical no mundo e que está intimamente ligado à luta pela liberdade dos escravos e consequente abolição da escravatura.

De há uns anos para cá que o meu espectro musical tem virado para o Jazz. Gosto de um bom Rock, há músicas Pop muito interessantes mas isto de se estar mais velho puxa para algo mais calmo. O Jazz dá-me isso. Uma sonoridade complexa mas calma. Perfeito para abrandar o ritmo, encaixa como uma luva quando se acompanha uma leitura de poesia. Isso e Bossa Nova...

 

 

Luísa Sobral saltou para o estrelato depois de ficar em 3º lugar na 1ª edição portuguesa do programa "Ídolos". Após alguns anos a estudar música nos Estados Unidos, a cantora de influências Jazz regressa a Portugal para lançar em 2011 o seu 1º álbum, "Cherry On My Cake". Em 2012, Luisa Sobral trabalhou por diversas vezes com a cantora Jazz Medoly Gardot, tendo mesmo feito várias primeiras partes para os concertos da americana.  Luísa Sobral conta com mais 3 álbuns, o último deles lançado em 2016, sendo que "Lu-pu-i-pi-sa-pa" é um álbum maioritariamente infantil, de onde se destacam as canções "Língua dos Pês" ou "João".

Uma Noite Para Comemorar - Mafalda Veiga

"esta é uma noite para me vingar
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
em distâncias e saudade
numa dor que nunca acabe
e faz transbordar os dias"

 

Mafalda Veiga tem o poder de me acalmar com as letras das suas canções.

Esta em particular tem um significado bem especial no dia de hoje.

Não interessa que seja uma noite, pode ser até um dia. O momento de comemorar hoje é meu.

Comemorar os anos de vida cumpridos até agora.

Comemorar os momentos que fizeram de mim o que sou.

Comemorar as agruras que me moldaram a personalidade.

Comemorar os amores que vivi até hoje e que deixaram marcas.

Comemorar os lugares por onde passei e que deixaram memórias.

Principalmente, comemorar as derrotas e as vitórias que fazem parte do meu Eu.

 

Mafalda Veiga é uma cantora portuguesa que iniciou a sua carreira em 1987 com o álbum "Pássaros do Sul". Apesar das várias pausas que fez na parte discográfica para se dedicar aos palcos e à família, Mafalda Veiga conta com dez álbum lançados, sendo que sete são de estúdios e os restantes são ao vivo. Em 2005, a cantora aventura-se no mundo da Literatura Infantil e lança sob a cancela da Quasi Edições o livro "O Carocho Pirilampo que Tinha Medo de Voar" em 2005. O mais recente álbum, lançado em 2016, chama-se "Praia".

Fado Português - Amália Hoje

 "Vê se vês terras de espanha,
Areias de portugal,
Olhar ceguinho de choro."

 

 Se há género musical que faz de grande veículo da poesia, esse género é o fado. Grandes fados e, consequentemente, grandes fadistas dão voz aos mais conhecidos poetas do nosso país. Um dos exemplos maiores foi Amália Rodrigues, nesta versão aqui homenageada pelos Amália Hoje. Uma roupagem mais moderna às palavras de José Régio, o "meu" poeta.

 

O projecto "Amália Hoje" surge em 2009 para comemorar o 10º aniversário da morte de Amália Rodrigues. A banda mistura sonoridades de fado com pop e é composta por quatro elementos: Sónia Tavares e Nuno Gonçalves dos "The Gift", Fernando Ribeiro dos "Moonspell" e Paulo Praça, músico que mais tarde veio a integrar os "The Gift". A banda conta apenas com 2 álbuns lançados, "Amália Hoje" e o DVD gravado ao vivo no CCB.

One More Time - Daft Punk

"Music's got me feeling so free
We're gonna celebrate
Celebrate and dance so free
One more time"

 

De cada vez que passa Daft Punk algures, rádio, festa, casamento, que seja, a música proporciona-me uma trip down memory lane. Ano lectivo 2001/2002, Campo do Gerês, na zona da Barragem de Vilarinho da Furna e da Pousada de Juventude. Os professores estagiários de Educação Física resolveram organizar um fim de semana radical com alunos com direito a prova de orientação, rappel e algum montanhismo na bela Fenda da Calcedónia. Terminado o jantar numa das noites, os professores vão dividindo os alunos que estavam interessados em sair um bocadinho em pick-up's e quando damos por nós estamos num pequeno café que em certas noites ganhava uma nova animação com uma discoteca improvisada. E siga a dança entre amigos :)

 

Os Daft Punk são uma dupla de música electrónica composta por um músico francês e outro luso-francês. Iniciaram a sua carreira em 1993 mas no início mantinham a sua aparência fora de câmaras usando imagens de animação. Hoje em dia continuam a manter esse mistério através de máscaras. Os Daft Punk contam com 5 álbuns lançados e venceram também 5 Grammy's. Da sua lista de colaborações constam nomes como Pharrell Williams, Stardust ou Phoenix (ambas bandas francesas). 

Call Me - Alexander Stewart

 "Emotions come, I don't know why
Cover up love's alibi"

 

Confesso que confundi o Alexander Stewart com o Michael Bublé quando o ouvi pela primeira vez. Até nem foi com esta música, foi com o "Fifty Ways To Leave Your Lover". A voz tem muitas semelhanças, é certo. Mas o estilo é completamente diferente. Ao Alexander Stewart só o consigo ver num contexto de bar de Jazz, com um registo mais intimista, acompanhado por um piano, um violoncelo, uma bateria e quem sabe uns toques de saxofone. É um registo que o tira um pouco da alta roda dos festivais de Jazz mas dá-lhe a piada toda.

 

Alexander Stewart é um músico de Jazz britânico. Conta com 3 álbuns lançados, sendo que um foi gravado ao vivo numa das sua actuações na Alemanha. Em 2014, o cantor estabeleceu-se durante 3 meses no St. James Theatre. No mesmo ano, estreia-se em palcos asiaticos ao tocar no Venetian Hotel,em Macau. O seu mais recente álbum, "I Thought About You" conta com registos de big band com talentosos músicos de jazz britânicos e com a participação da Orquestra Filarmónica da Cidade de Praga.

Solsbury Hill - Peter Gabriel

 "I was feeling part of the scenery
I walked right out of the machinery
My heart going boom, boom, boom
Son, he said, grab your things I've come to take you home"

 

Já alguma vez se deram conta que as mudanças nos nossos gostos musicais vão quase sempre de encontro aos anos para trás do nosso nascimento conforme vamos ficando mais velhos? Eu, pelo menos, tenho notado isso em mim. Ouço cada vez menos os últimos sucessos, as rádios com as músicas mais recentes. Contam-se pelos dedos das duas mãos os hits que me agarraram ultimamente. Por isso é cada vez menos novidade para mim que músicas do Phil Collins, dos Genesis, dos Simple Minds, dos Depeche Mode ou do Peter Gabriel entrem em modo earworm.

No caso concreto de Peter Gabriel, gosto mais das músicas com um ritmo mais alegre como este Solsbury Hill ou Sledgehammer. Atenção, ele tem músicas mais calminhas lindíssimas tipo o dueto com a Kate Bush em Don't Give Up ou a eterna I Grieve, que faz parte da banda sonora do filme City of Angels. Mas, lá está, são músicas mais lentas, mais tristes, não enquadram em qualquer situação.

 

Peter Gabriel é um músico inglês que assenta a sua carreira musical em sonoridades de pop/rock, rock alternativo e world music. Iniciou o seu percurso com a banda Genesis, de quem foi o vocalista. Por divergências artisticas mas também por motivos familiares, Peter Gabriel deixa os Genesis em 1975 e lança-se a solo, tendo lançado o seu primeiro álbum nessa condição em 1977. No palmarés conta com 3 Brit Awards, 6 Grammy's e 13 MTV Video Music Awards (VMA's). Peter Gabriel é também um activista dos direitos humanos com uma já longa ligação a organizações como a Amnistia Internacional.

Hands Full of Nothing - Blasted Mechanism feat. Dealema

"e o que resta é energia
é destruição à criação
criação à destruição
caminhamos nos escombros do armagedão
cheios de nada
apenas com o coração na mão "

 

 Já todos nós passamos por esse fenómeno intrigante chamado earworm. De repente, uma determinada música não nos sai da cabeça e em qualquer momento, qualquer instante, aí estamos nós a trautear ou cantarolar partes da letra. Acontece-me muito com as músicas dos Blasted Mechanism. Talvez as letras de uma determinada música deles me agarre por algum motivo e dou por mim a cantar isto o dia inteiro. Esta em particular tem um certo impacto por causa do rap em português, da autoria dos portuenses Dealema (que já estiveram na lista de preferências musicais numa outra vida) mas também pela mensagem. Nada do que temos nesta vida é garantido. Temos uma mão cheia de nada que de um momento para o outro desaparece.

 

A tocar desde 1995, os Blasted Mechanism são uma banda com sonoridades mais ligadas à world music, à indie music e ao rock alternativo. Reconhecidos pelos seus fatos futuristas que são redesenhados a cada novo álbum lançado, esta banda foi nomeada por três vezes para a categoria de Best Portuguese Act dos MTV EMA's (European Music Awards) mas viram o galardão ir parar às mãos de outras bandas. A banda conta neste momento com 8 álbuns gravados.

My Favorite Things - Al Jarreau

"When the dog bites
When the bee stings
When I'm feeling sad
I simply remember my favorite things
And then I don't feel so bad"

 

Se 2016 foi terrível para os amantes da música, 2017 começa já a pés juntos para não ficar atrás. Desde o dia 12 que o universo do Jazz está orfão de um dos seus nomes grandes. Al Jarreau deixou-nos aos 76 anos. Gosto muito da sonoridade da sua música. É dos poucos músicos de Jazz que aprecio tanto o registo de performance de canto como as improvisações em scat singing. Era uma presença assídua em Portugal para concertos e tenho pena de ter perdido sempre a oportunidade de o ir ver ao vivo.

 

Al Jarrreau começou a cantar aos 4 anos no coro da igreja onde o pai era vigário em Milwakie (Estados Unidos). Ao longo da sua carreira músical, Jarreau foi se inventando em vários estilos diferentes como o Pop, o R&B ou o Jazz. Na história dos Grammy's, Al Jarreau é o único músico que conta com galardões nos três géneros musicais, ganhos nos anos 70, 80 e 90. O seu último álbum foi lançado em 2014.