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This Is Me in a Nuttshell

This Is Me in a Nuttshell

De visita a... Lisboa

Alguns seres mais extremistas, com os espíritos toldados pela febre do futebol dirão que o melhor que Lisboa tem é a placa na auto-estrada a dizer "A1 - Porto". Eu gosto de Lisboa. Gosto de lugares carregados de História. Castelos onde se deram reconquistas, praças onde se implantaram regimes políticos e largos onde se derrubaram outros. Gosto tanto que um ano depois de ter ido de passeio para a capital, volto de novo muito em breve.

Este post funciona um pouco como uma "revisão da matéria dada". Sítios que vi e não preciso de ver de novo, sítios por onde passei e quero ver melhor, lugares por onde passei e quero recordar as sensações e uma exclusão de partes para o que faltou ver.

Comecei por aprender localizações da pior maneira. Com o hostel situado na Rua Áurea, ali paredes meias com o Elevador de Santa Justa, decidi seguir as indicações do site. Asneira! Descer do Largo de Camões, Chiado abaixo com um saco de ginásio e mochila é só tortura. Da próxima não me engano, para o Rossio sai-se na estação de Metro dos Restauradores (isto para quem vem de Santa Apolónia, claro!).

E por falar em estações de Metro, eu fiquei com uma vontade daquelas de percorrer todas as estações da rede só para registar em foto. É que as do Metro do Porto são assim, como dizer, entediantes. Todas iguais, todas cinzentas, todas frias. As vossas, meus amigos alfacinhas, sempre são coloridas, têm arte!

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 O passeio teve um motivo: "Querida, comprei uma Orquestra". Gosto do trabalho do Carlos Moura como comediante por isso não podia perder a oportunidade de o ver num outro registo, o de actor. Juntaram-se a ele a Joana Pais de Brito e a Orquestra da Cidade dirigida pelo Maestro Nuno de Sá e digo-vos, a peça foi melhor que tostas!!

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 Mas enquanto a peça não começou, andei a fazer turismo. E se a minha saúde cardíaca estava em dia, a óssea nem por isso. De tanto "sobe colina, desce colina", os joelhos ressentiram-se depressa. Mas antes ainda consegui ter energia para percorrer a Rua Augusta de ponta-a-ponta, parar ao pé do Tejo para ver chegar o cacilheiro ao Cais do Sodré, seguir para os Paços do Concelho e subir, colina acima até chegar ao Largo do Carmo. 

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No Largo do Carmo, quem passava era brindado com música académica. A Tuna de Belas-Artes estava a dar show e foi ao som deles que fui para o lado do Elevador para contemplar a vista. Dali até à estação do Rossio foi um instantinho. Afinal, a descer todos os santos ajudam, não é?

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 Próxima paragem, Marquês e o Parque Eduardo VII. Sabia que ia decorrer naquele fim de semana uma prova de carrinhos de rolamentos, por isso tinha desculpa para ir lá cuscar e claro, aproveitar a vista e o cenário. Fui gravando uns vídeos da prova enquanto subia e digo-vos, aquilo é inclinadito. Acho que foi nessa altura que os ossos disseram "Ok, já chega. Nós desistimos!". Felizmente, o patamar junto à estátua de Cutileiro estava ali perto e com ela a vista. O jardim em toda a sua extensão, a cidade a esticar-se até ao rio, o verde e a paz. Consegui perceber o apelo de fazerem a Feira do Livro sempre aqui.

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O último dia foi um encher de horas até ao comboio por Alfama, com um saltinho pelo Panteão (que estava fechado). Fica para esta viagem uma exploração a fundo...

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De visita a... Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (Coimbra)

Quando se está ao pé do Mondego, bem no meio da ponte, a imagem que se tem de um lado e do outro do rio tem dois pontos marcantes. De um lado está a Universidade (já lá vamos a esse post), do outro está Santa Clara-a-Nova. Não vou mentir, mais do que qualquer um, esse era o monumento que eu queria ver. O meu fascínio pela Rainha Santa, lembram-se?

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À medida que ia entrando no espaço, a sensação que ia tomando conta de mim foi inexplicável. Logo na entrada para a igreja, junto da bilheteira/loja de souvenirs, algo me impeliu a acender uma vela na imagem da Rainha Santa. Mas o baque maior foi já no interior da igreja. De frente para o altar-mor, olhando o caixão de prata em exposição lá no alto, as lágrimas vieram-me ao olhos. E eu que já não me sentava numa igreja para rezar há anos, nesse momento tirei um momento de recolhimento para absorver toda aquela paz.

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Por 5€, o bilhete dá acesso a zonas mais recolhidas do espaço, recheadas de peças únicas e muito antigas (e por isso mesmo, frágeis) onde não é permitido fotografar, como é o caso do coro baixo. A título de exemplo, estão lá expostos o túmulo original da Rainha Santa, antigos andores de procissões do Senhor dos Passos, paramentos riquíssimos, imagens centenárias da Rainha Santa, alfaias eucaristicas diversas (relicários, turíbulos, etc.), entre outros.

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E a visita termina nos claustros. Apesar de apresentarem algumas marcas de degradação, não deixa de ser um espaço que convida à paz e ao recolhimento. E mesmo nessa paz dos claustros, o nó da garganta e as lágrimas nos olhos não me largaram.

De visita a... Mosteiro de Santa Clara-a-Velha (Coimbra)

5 minutos a pé é a distância que separa a Quinta das Lágrimas do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. A Rainha Santa Isabel sempre foi das personagens históricas do nosso país que sempre me fascinou. Por isso, estar em Coimbra e não visitar as suas duas casas era o maior de todos os "tiros no porta-aviões".

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A entrada para a zona do Mosteiro faz-se pelo Museu onde estão expostos diversos elementos recolhidos nos trabalhos de escavação e preservação do espaço. Moedas, pedras tumulares, loiças, utensílios do dia-a-dia, o espólio é imenso e muito interessante. Dá ao visitante uma ideia daquilo que era o quotidiano daquelas monjas.

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Terminada a visita ao museu, é hora de descer pelo relvado e seguir para as ruínas. Nota-se o esforço em manter o espaço longe da força das águas do Mondego mas infelizmente já todos vimos que o espaço continua a ficar debaixo de água. No entanto, o trabalho de conservação é excelente. Os detalhes a nível de arquitectura são de fixar a atenção. Porque a simplicidade e a sobriedade também são sinónimos de beleza. Todas as zonas do espaço estão numeradas, uma vez que o Museu tem disponível para aluguer áudio-guias em várias línguas.

De visita a... Quinta das Lágrimas (Coimbra)

Visitar Coimbra e não ir à Quinta das Lágrimas é sentir que faltou ali algo. Acredito piamente que todo aquele parque tenha uma beleza inconfundível num dia de bom tempo mas no dia que cheguei estava a chover e não foi isso que me demoveu. O que é certo é que aquele ambiente cinzento, chuvoso e sombrio deu uma aura mais misteriosa ao momento.

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E se as pontes deste mundo fora andam a ficar cravejadas de cadeados (ou em bom nortenho, aloquetes), o fenómeno dos apaixonados toma outras proporções na Fonte dos Amores. Do lado de dentro do famoso pórtico, bem ao lado da fonte, há uma árvore que concentra todas as formas de mostrar ao mundo o seu amor em forma de fitas. Centenas e centenas de fitas coloridas com nomes escritos.

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E de tanto ouvir falar da lenda, ler sobre ela, os nossos pés quase que são automaticamente impelidos a procurar as manchas vermelhas no fundo da fonte. E nem é preciso olhar para o mapa para percorrer o relvado, ficar a contemplar a Fonte das Lágrimas e relembrar mentalmente aquela parte da nossa História.

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Felizmente, já no final da visita o sol deu um ar da sua graça e consegui ver um pouco da beleza mais luminosa do espaço. O verde do parque, as flores, as sombras nos jardins do Hotel.

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(Uma dica: da Quinta das Lágrimas chega-se rapidamente a pé a Santa Clara-a-Velha onde podem ver o museu e as ruínas do Convento)

De visita a... Quinta da Regaleira (Sintra)

Em 2009, um mais jovem Cláudio deu a conhecer a uma mais jovem Isa essa vila misteriosa e quiçá encantada chamada Sintra. Desde então que o bichinho pela vila de Sintra ficou cá dentro. A Pena bem lá no cimo da serra, o Castelo dos Mouros mais ao lado no outro cume, o trabalhado da pedra da Regaleira, as chaminés branquinhas e imponentes do Palácio Nacional... E quase que por impulso vem à cabeça aqueles lugares que leste n'Os Maias como o Lawrence ou o esquecimento das queijadas (e olhem que elas são boas!)

Em 2016, e de novo na companhia do Cláudio, consegui riscar um dos lugares de Portugal a visitar na minha "bucket list": a Regaleira. Melhor guia não podia ter, conhece aquilo como as palmas das mãos.

Como é um lugar onde a maioria dos elementos arquitectónicos estão ao ar livre, aconselho a que escolham um dia com bom tempo para a visita. Fomos em Maio e estava um dia fantástico!

Mas antes de falar na experiência da visita, importa que se saiba um pouco do que é a Quinta da Regaleira. Em breves traços, foi mandada construir pelo Dr. António Augusto Carvalho Monteiro, também conhecido como o Monteiro dos Milhões por causa da sua extensa fortuna. A obra durou 6 anos (1904-1910) sob a direcção do arquitecto italiano Luigi Manini que trouxe com ele muita da mão-de-obra que trabalhou no Palácio do Buçaco.

Um dos pontos altos da visita é o Palácio, casa de Verão da família Monteiro. Tanto no interior como no exterior, o detalhe na decoração em pedra é de ficar vidrado. São sobretudo motivos naturalistas, ou seja, cordas, folhas, flores. No interior da casa o meu fascínio ficou nos tectos, principalmente nas salas do piso Nobre. O trabalhado da madeira é fantástico e não há uma sala com um desenho igual. Já a biblioteca tem um pequeno truque que me valeu o susto da vida (isso não se faz Mister!).

Seguindo pelos jardins, o espaço que se encontra de seguida é a Capela, também ela com a fachada em pedra ricamente trabalhada e uns vitrais lindíssimos no interior. Mas toda a extensão da Quinta está semeada com pequenos elementos arquitectónicos que prendem o olhar, já para não falar da mistura de árvores que vão dando uma aura de encanto. Como se cada recanto fosse esconderijo de mouras encantadas que esperam o anoitecer.

Mas nada bateu a vista que se tem dos pontos altos da Quinta. Podem tentar a Torre junto ao Portal dos Guardiães ou vir um pouco mais para baixo, para a Torre da Regaleira. Visão perfeita da Serra de Sintra, perfeita também para o centro da Vila, um verde sem fim de cortar a respiração.

O espaço mais emblemático da Quinta ficou para o fim. Estou a falar, é claro, do Poço Iniciático. Consiste numa espécie de torre mas que se enterra no chão por cerca de 27 metros e o único acesso ao espaço é uma escada em espiral que do meio para o fim tem tendência a ficar um bocado molhada. Se visitarem tenham atençäo que há visitantes que fazem o percurso tanto a subir como a descer. O poço depois liga-se a vários túneis com várias saídas diferentes, sendo uma delas o Lago da Cascata. O porquê de lhe chamarem Poço Iniciático? Acreditou-se outrora que o espaço serviu para a iniciar novos maçons. 

 

 

 

De visita a... Braga

Trabalhar em hotelaria tem os seus prós e contras. Se de um lado estão os horários lunáticos a turnos, do outro estão as "connections" que se fazem com as pessoas certas e que ajudam a fazer turismo mais em conta.

A minha "day trip" a Braga o ano passado foi um desses caso. As estrelas alinharam-se todas a meu favor, juntou-se a isso um dia de folga e toca a ir de visita a uma cidade que não visitava desde criança.

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A primeira paragem foi no Santuario do Bom Jesus, lugar onde nunca tinha ido. A vista sobre Braga é de cortar o fôlego.

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Vale muito a pena "perder" tempo a explorar os pequenos recantos dos jardins por trás da Igreja. Descobrem-se detalhes interessantes.

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 Seguindo para o centro da cidade, a zona histórica aguardava a descoberta. O meu eu fanático por arquitectura ficou danado quando percebeu que só se salvaram 1/2 dúzia das muitas fotos que tirei (máquina dum %£µ&$€).

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 O dia estava de torra. Ao almoço, alguns termómetros espalhados pela cidade marcavam 34ºC. Com todos os cuidadinhos, ainda fui capaz de apanhar um escaldão nos pés e ficar com a marcas das sabrinas, num bronzeado ridículo. Ainda bem que a zona da câmara municipal está cheia de edifícios giros e igrejas com linhas interessantes para a fotografia e que davam sombrinha.

Uma visita a... Leipzig (Alemanha)

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Apanhando o RE (comboio regional), Leipzig fica a praticamente 1h de Dessau. A visita vale bem a pena.

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Para quem gostar dos aspectos mais históricos de uma cidade, Leipzig enche-lhe bem as medidas. A sede da Stasi, a Polícia Política Alemã, fica aqui. Transformada em museu, Das Haus zum Runde Ecke ou, abreviado, Der Runde Ecke (A casa da esquina redonda ou A esquina redonda), dá um panorama de uma das épocas negras da História alemã. Experimentem ver o filme "Das Leben den Anderen" (A Vida dos Outros) para perceberem do que estou a falar. E olhem que a nossa PIDE comparada com estes senhores passam por meninos da escola primária. A minúcia nos métodos de espionagem era levada ao extremo.

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Exactamente por terem a Stasi na cidade, foi daqui que se deu o pontapé de saída para a revolução pacífica que fez cair o Muro de Berlim em 1989 e que unificou de novo a Alemanha. A Nikolaikirche foi palco de inúmeras reuniões e encontros de opositores à separação já que a polícia não podia entrar na igreja.

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Olhando para a zona central de Leipzig e percorrendo as ruas, havia ali um ambiente que me fazia lembrar o Porto. Cinzento de pedra mas sem ser pesado, imponente, antigo.

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Leipzig é também uma cidade muito ligada à música. Nomes como Johann Bach (o seu túmulo está no altar mor da Thomaskirche, onde foi solista durante grande parte da vida), Richard Wagner, Mendelssohn (fundador do conservatório de música da cidade) ou mesmo Schumann colocaram a cidade na rota das tertúlias da arte.

Uma visita a... Dessau (Alemanha)

Fez há alguns dias um ano desde o meu baptismo de voo, a primeira de muitas viagens para fora deste cantinho à beira mar plantado.

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 Depois de 2h e tal de dores no corpo, cortesia da Ryanair, cheguei a Berlim.

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 Dessau é atravessada por 2 rios, o Mulbe e o Elbe. O Mulbe está mais perto do centro da cidade, já o Elbe fica na zona da Kornhaus, da Bauhaus e do Tiergarten (o zoo),

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Sendo início de Novembro, a temperatura por lá já desce um bocado mas nada de muito rigoroso. Durante o dia, as temperaturas eram muito semelhantes àquilo que sinto cá quando termino um turno de trabalho às 0h. Com o fuso horário, lá quando são 17h já está escuro como breu e aí sente-se mesmo o frio.

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Já os supermercados alemães são perfeitos para o meu regime allergy-free. A variedade é muita, seja do lado sem gluten, seja do lado sem lactose. E ao contrário dos supermercados portugueses, que têm zonas específicas com os produtos, os alemães têm tudo misturado. Simplesmente colocam na etiqueta do preço estes símbolos (garrafa= sem lactose; espiga=sem glúten) e os consumidores já sabem o que é seguro para eles.